O mercado de fundos imobiliários (FIIs) mais uma vez mostrou que nem sempre as reações de preço seguem a lógica mais esperada. Nesta quinta-feira (20), o fundo imobiliário RECT11 vem registrando uma alta de quase 2% em suas cotas, mesmo após a divulgação de um fato relevante que, em tese, não altera a distribuição de rendimentos nem a taxa de vacância do portfólio.
O que diz o fato relevante?
De acordo com o comunicado enviado ao mercado pela BRL Trust, administradora do fundo, foi formalizada a renovação do contrato de locação com a AGP Tecnologia em Informática do Brasil Ltda., locatária de 50% do 16º andar do Edifício Canopus Corporate Alphaville, em Barueri/SP. O contrato, que venceria em 19 de fevereiro de 2025, foi prorrogado por mais 36 meses, mantendo a área locável de 568,61 m².
Apesar da renovação, a taxa de vacância do fundo permanece em 7,30%, sem qualquer alteração. Além disso, a distribuição de rendimentos segue inalterada, segundo a gestora REC Gestão de Recursos S.A.
Por que a cota subiu, então?
Mesmo com um fato relevante considerado “neutro” em termos financeiros, o mercado respondeu positivamente. O RECT11 encerrou o dia com uma valorização de aproximadamente 1,95%, surpreendendo investidores e analistas.
O que explica essa alta? Especialistas apontam para dois possíveis motivos:
- Sentimento de estabilidade: A renovação do contrato reforça a percepção de que o fundo está conseguindo manter seus inquilinos, algo relevante para um fundo que enfrentou dificuldades recentes.
- Cota extremamente descontada: Com um P/VPA de apenas 0,31, o RECT11 é um dos fundos mais descontados do mercado. Investidores podem estar aproveitando o preço atrativo, projetando uma recuperação no médio e longo prazo.
O histórico recente do RECT11
Nos últimos anos, o RECT11 enfrentou desafios que impactaram sua performance e a confiança dos investidores. Problemas com vacância elevada e dificuldades na venda de ativos contribuíram para a forte desvalorização da cota no período. Atualmente, mesmo com esforços da gestão para locar áreas vagas e realizar desinvestimentos estratégicos, o fundo ainda luta para reverter esse cenário.
A renovação do contrato com a AGP, embora não afete diretamente os rendimentos, pode ser vista como um passo na direção certa, mostrando que a gestão está atenta à manutenção de sua base locatária.
O que esperar daqui para frente?
A gestão do RECT11 segue empenhada na redução da vacância e na venda de ativos considerados não estratégicos. Caso consiga avançar nesses pontos, o fundo pode começar a reconquistar a confiança dos investidores e melhorar sua performance no mercado.
No entanto, o elevado desconto em relação ao valor patrimonial é um sinal claro de que ainda há desafios a serem superados. Investidores devem acompanhar de perto os próximos movimentos da gestora e os desdobramentos das negociações de locação e venda de ativos.
Considerações finais
A reação positiva do mercado ao fato relevante desta terça-feira mostra que, às vezes, o simples sinal de estabilidade já é suficiente para animar os investidores, especialmente em fundos com cotações tão pressionadas como o RECT11. A renovação do contrato com a AGP garante continuidade de receita para o fundo, mesmo sem gerar mudanças nos números de vacância ou distribuição.
Apesar da valorização no dia, é importante manter cautela e acompanhar os próximos relatórios e comunicados do fundo. A trajetória de recuperação pode ser longa, mas passos como esse ajudam a construir um caminho mais sólido.