O Santander Renda de Aluguéis (SARE11), fundo imobiliário gerido pelo Santander Brasil Gestão de Recursos, anunciou a venda de um de seus ativos localizados em Barueri, São Paulo. A transação faz parte da estratégia de gestão para otimização do portfólio e reforço de caixa, um ponto crítico para o fundo devido à sua recorrente alavancagem.
Detalhes da venda
O imóvel, situado na Avenida Tucunaré, 720, Alphaville, foi vendido pelo valor total de R$ 62 milhões, o equivalente a R$ 3.283,00 por metro quadrado. O pagamento será realizado em 14 parcelas, conforme cronograma estabelecido no contrato de venda. A primeira parte, no valor de R$ 500 mil, foi paga ainda em dezembro de 2024. Uma segunda parcela de R$ 12,5 milhões foi recebida no ato da assinatura do contrato, enquanto o restante, cerca de R$ 49 milhões, será quitado ao longo de 13 meses, com vencimentos até março de 2026.
O cap rate estimado da transação ficou em 8,5%, um número considerado adequado para o mercado imobiliário atual. Além disso, a venda está alinhada com os laudos de avaliação recentes, que precificaram o ativo em R$ 62,8 milhões em novembro de 2024 e R$ 60,1 milhões no ano anterior.
Impacto no caixa e na estratégia do fundo
O SARE11 pretende utilizar os recursos da venda para reforçar seu caixa e cumprir obrigações financeiras. O fundo, que é um FII misto, investe tanto em imóveis físicos quanto em cotas de outros fundos imobiliários. Entre seus principais ativos estão o WT Morumbi, um prédio corporativo da WT Torre, e o Condomínio Work Bela Cintra.
A venda do imóvel em Barueri reduz a exposição do fundo ao setor logístico, visto que ele possuía dois galpões. Agora, o portfólio se concentra majoritariamente em lajes corporativas, um segmento que tem enfrentado desafios nos últimos anos, com aumento da vacância e pressão sobre os aluguéis.
SARE11 e o problema da alavancagem
Um dos pontos críticos do SARE11 é sua alavancagem, que se torna uma preocupação recorrente ao final de cada ano. O fundo já enfrentou dificuldades para cumprir pagamentos e, por isso, a venda desse ativo pode representar um alívio temporário. A gestão destacou que parte dos recursos será utilizada para a distribuição de rendimentos aos cotistas, respeitando o mínimo de 95% do resultado semestral.
Com mais de 30 mil cotistas, o SARE11 atrai investidores interessados na diversificação entre imóveis físicos e cotas de FIIs. No entanto, sua estrutura de endividamento e as decisões estratégicas de venda e reinvestimento são fatores que exigem atenção constante do mercado.
A gestão do fundo promete manter os cotistas informados sobre novos desdobramentos, seja através de relatórios mensais ou futuros fatos relevantes. Enquanto isso, o mercado observa como essa movimentação impactará os rendimentos distribuídos e a estrutura financeira do SARE11 nos próximos meses