O fundo imobiliário VCRA11 anunciou uma distribuição de dividendos de R$ 0,96 por cota em fevereiro. Considerando o deságio de 42,69% no fechamento de mercado do dia 28 de fevereiro, essa distribuição representa um dividend yield anualizado de 19,30%, equivalente a 163% do CDI, líquido de imposto de renda para pessoas físicas, ou 192% do CDI, incluindo o gross up do imposto.
Em relação ao valor médio das emissões do fundo, a rentabilidade da distribuição de fevereiro equivale a 95% do CDI líquido e 112% do CDI considerando o gross up do imposto. No final do mês, a carteira do fundo apresentava 93,6% de exposição a ativos do agronegócio (CRAs, CRIs e FIDCs), com taxas médias de CDI + 5,2% a.a. e IPCA + 8,9% a.a.
Desempenho do VCRA11 no mercado
Apesar do robusto dividend yield, o desempenho da cota de mercado do VCRA11 tem ficado aquém de seus pares no setor. Enquanto a mediana dos retornos e DY de fundos similares foi de +2,3% e 1,15%, respectivamente, o VCRA11 apresentou uma queda de 10,9%, com DY de 1,58% no mesmo período. A gestora não identificou uma razão clara para esse descolamento, mas acredita que há potencial para valorização gradual, o que pode realinhar o fundo com os concorrentes.
Ajustes na carteira de ativos
O fundo reduziu sua exposição ao CRA Ruiz em aproximadamente R$ 23 milhões. Essa movimentação foi feita por meio da quitação de uma operação anterior (saldo devedor de R$ 48 milhões) e a entrada em uma nova operação de R$ 25 milhões. O novo CRA emitido pelo Grupo Ruiz foi estruturado em duas séries:
- R$ 20 milhões, com prazo de 4 anos e taxa de CDI + 5,0% a.a.
- R$ 5 milhões, com prazo de 5 anos e taxa de CDI + 5,10% a.a.
As garantias do novo CRA incluem avais de pessoas físicas e jurídicas do grupo, alienação fiduciária de imóveis com razão de garantia mínima de 165% do valor de venda forçada e cessão fiduciária de recebíveis.
A decisão de reduzir a exposição ao Grupo Ruiz está alinhada à estratégia de gestão ativa do portfólio, visando maior diversificação e controle de riscos. O fundo segue avaliando oportunidades de alocação do caixa em operações de menor risco de crédito (high grade), tanto no mercado primário quanto no secundário.
Cenário do agronegócio e mercado pecuário
Desde o início de 2025, a arroba do boi gordo registrou uma desvalorização de 3,54%, conforme o Indicador do Boi DATAGRO/B3. A taxa de abate de fêmeas segue elevada, atingindo 44,8% em janeiro. A retração nos preços do boi gordo foi impactada por choques na demanda interna e variações cambiais. No atacado, o preço da carcaça casada caiu de R$ 23,00/kg para R$ 20,80/kg, refletindo o menor consumo doméstico e a substituição de proteínas mais caras.
Apesar da valorização do real, as exportações seguem firmes, mantendo os preços internacionais estáveis em US$ 4.950,00 por tonelada. A relação entre a cotação do dólar e a arroba do boi gordo explica a recente desvalorização do preço do gado no Brasil.
Mercado de grãos e etanol
O mercado de milho deve seguir com preços firmes em março, sustentados pela solidez externa e pelo forte interesse comprador doméstico. Já a soja tende a apresentar cotações mais conservadoras, pressionadas pelo avanço da colheita da nova safra e pela fraqueza do mercado internacional.
No setor de etanol, a perspectiva de aumento da mistura de anidro na gasolina entre maio e junho, aliada ao consumo resiliente de hidratado, deve sustentar os preços do biocombustível ao longo de 2025. Esse cenário persiste mesmo com a maior oferta de etanol de milho.
Atualização da carteira do VCRA11
A gestora continua monitorando os ativos do fundo e destacou três operações que seguem em acompanhamento especial:
- Grupo APR: O processo de reintegração de posse da fazenda consolidada está em andamento. A gestora mantém conversas para viabilizar a comercialização do ativo após a conclusão desse processo.
- North Agro: A empresa ainda está sob proteção do stay period, impedindo temporariamente a execução de garantias imobiliárias. O fundo segue buscando exercer seus direitos como credor extraconcursal para retomar os processos de execução assim que possível.
- Safras Agroindustrial: As negociações para reperfilamento da dívida continuam sem novidades relevantes. A gestora segue acompanhando os desdobramentos e informará sobre avanços futuros.
O fundo segue atento às oportunidades de mercado e à gestão de riscos, buscando otimizar a rentabilidade e preservar o patrimônio dos cotistas.